Rui Silvestre, João Oliveira e Arnaldo Azevedo voltam a confirmar que são estrelas da gastronomia. Ontem à noite, voltaram a subir ao palco da gala de Estrelas MIchelin, que decorreu na Alfândega do Porto.
No total, Portugal conta agora com 38 restaurantes com uma estrela Michelin, sendo que o 100 maneiras, de Lubomir Stanisic, pedeu a distinção.
Na lista dos 38 restaurantes que receberam uma estrela, constam três que têm chefs naturais de Valogo, são eles o Fifty Seconds, em Lisboa, onde Rui Silvestre lidera a cozinha, o Vila Foz, no Porto, com o chefe Arnaldo Azevedo, e o Vista, em Portimão, com a cozinha inspirada por João Oliveira.
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Rui Silvestre nasceu em Valongo, mas vive no Algarve desde os 10 anos. Em busca de inspiração para novos pratos e de novas técnicas culinárias, para descobrir outras culturas e sabores, Rui passou sete anos em restaurantes franceses, suíços e húngaros, onde destaca a sua passagem pela França, no restaurante Le Castellet de Christophe Bacquié, com três estrelas Michelin.
Em 2015, alcançou a sua primeira estrela Michelin, tornando-se o mais jovem chef português, com 29 anos, a ganhar este cobiçado reconhecimento. Em 2019 repetiu o feito quando ao volante do Restaurante Vistas ganhou a primeira Estrela Michelin para sotavento Algarvio. Apesar de ter feito boa parte da sua carreira no estrangeiro, com passagens pelos estrelados Ferme Saint Simion e Christophe Bacquié, ambos franceses, e pelo Costes, em Budapeste, chefiado por Miguel Rocha Vieira, a cozinha de Rui Silvestre privilegia os sabores nacionais, inspirados pela matéria-prima que lhe está mais próxima: o peixe e o marisco.
Utilizando técnicas francesas e fundindo sabores improváveis, Rui adora combinar os melhores produtos da terra e do mar, de uma maneira inovadora evocando todos os sentidos e preservando o sabor autêntico e excepcional dos ingredientes locais. Assume a responsabilidade de suceder ao mais premiado chef espanhol, aos comandos do FIFTY SECONDS, situado no topo da Vasco da Gama Tower.
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Já Arnaldo Azevedo, Chef do Vila Foz, no Porto, que conseguiu uma Estrela pela primeira vez no ano de 2021, renova a conquista. “O estilo é jovial e descontraído, mas o foco é certeiro e irrepreensível. Há uma irreverência no olhar compenetrado do chef Arnaldo Azevedo que se traduz na ousadia das suas propostas”, lê-se no site do restaurante. A mesma fonte explica que “tudo começou num negócio de família [Toca da Formiga, em Ermesinde], onde descobriu a paixão pela cozinha” e que é “filho de um chef com quem partilha o nome para além da vocação” e deu os primeiros passos no restaurante familiar antes de decidir frequentar o curso de cozinha, na Escola de Hotelaria de Santa Maria da Feira. Depois vieram “outras experiências” que contribuíram para “moldar o seu percurso e definir a personalidade da sua cozinha”. “Chega ao Vila Foz Hotel & Spa depois de uma trajectória segura, criativa e promissora, sendo o responsável pelos Restaurantes Vila Foz e Flor de Lis”, refere o Vila Foz.
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Na cozinha do “Vista”, em Portimão, está o Chef João Oliveira, natural de Campo, que viu o gosto pela cozinha surgir quando, ainda jovem, teve de ajudar a tratar dos avós e a cozinhar para eles. Formou-se na Escola Profissional Infante D. Henrique, no Porto, como Técnico de Cozinha, em 2006, e, desde então, tem passado pelas maiores referências gastronómicas de Portugal, nomeadamente no restaurante Largo do Paço, em Amarante, no The Yeatman Hotel, onde foi Sub-chefe durante quatro anos, bem como no restaurante do Vila Joya, todos premiados com Estrelas Michelin.
Assumiu a chefia do Vista em 2015 e, em 2019, foi galardoado pela Academia Internacional de Gastronomia “Chef de L’Avenir” e conquistou para o Vista uma estrela Michelin. João Oliveira, um dos melhores chefes do mundo, repete o feito.
125 anos depois da criação do guia, foi assim realizada a segunda edição da Gala do Guia Michelin, exclusiva para restaurantes portugueses. Na cerimónia mais oito restaurantes portugueses alcançaram a tão sonhada Estrela Michelin, maior galardão da gastronomia, com destaque para o Marlene, de Marlene Vieira, em Lisboa uma das mais ovacionadas da noite e segunda chef mulher a ser distinguida com o prémio em Portugal em quase um século.
Antes de Vieira, apenas Maria Alice Marto havia atingido tal feito. Tanto em 1993 como em 1996, foi através das suas mãos que o seu Ti’ Alice, em Fátima, alcançou o galardão.
Há também mais 35 estabelecimentos recomendados no guia, 12 da região do Porto e Norte, 10 da região Centro e Lisboa, e 13 das regiões do Alentejo, Algarve e Madeira.