A ternura revolucionária do Natal

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«Ora, estando ali, aconteceu completarem-se os dias em que devia dar à luz, e deu à luz o seu filho primogénito, e O enfaixou, e O reclinou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria» (Lc 2, 6-7).

Jesus veio à terra deste modo tão simples e humilde a fim de ser para cada um de nós a certeza de uma esperança segura. Com um Deus assim não há nada a temer. Ele vem para nos salvar e libertar!

O único temor compreensível num cristão é o temor de ofender a Deus. É um temor filial que procede da gratidão. O temor de usar mal a liberdade e dizer que não ao Amor de Deus, que só quer o nosso verdadeiro bem.

É isso que contemplamos ao olhar para o presépio!

Deus vem ao mundo por Ele criado e nós não temos lugar para O acolher. Em cada Natal, muitas pessoas continuam a deixar que Ele nasça numa gruta porque lhe fecham a porta do coração. «Veio para o que era seu e os seus não O receberam» (Jo 1, 11).

Que mistério tão grande a ingratidão humana!

Como disse o Papa, no Natal Deus convida-nos a cuidar da esperança de tantos que já a perderam. Convida-nos a fazermo-nos sentinelas para muitos que sucumbiram sob o peso da desolação de terem encontrado nas suas vidas tantas portas fechadas.

Menino Jesus, nós te pedimos que neste Natal o teu choro de recém-nascido nos desperte da indiferença. Que nos ajude a abrir os olhos da alma para todos aqueles que passam ao nosso lado e sofrem por falta de esperança.

Que a tua ternura revolucionária, como diz Francisco, nos anime a cuidar da esperança daqueles que já a perderam.