1. A ética “republicana, laica e socialista” é sempre uma expressão que os socialistas invocam amiúde, quando querem criticar os seus adversários na vida política, ou então, quando querem chamar a si virtudes públicas que poucas vezes são capazes de concretizar com verdade e transparência.

E vem isto a propósito da última Assembleia de Freguesia da Junta de Paredes. O partido Socialista aprovou uma revisão ao Orçamento e Plano Plurianual de Investimento para 2018 para adquirir um carro elétrico orçamentado em mais 30 mil euros. Segundo o Senhor Presidente da Junta de Freguesia, o veículo vai servir o executivo nas suas visitas, pois segundo ele, não se compreendia que os diferentes elementos do Partido Socialista usassem o seu veículo próprio nessas deslocações.

É importante deixar algumas considerações acerca deste tema.

A defesa da causa pública deve ser a principal orientação política de todos os eleitos locais. O serviço público tem de ser dirigido às comunidades e aos respetivos territórios. Deste modo, a defesa da causa pública tem de ser cumprida com responsabilidade, com humildade e acima de tudo com despreendimento. O exercício do poder nunca poderá ser um fim em si mesmo.

Com este enquadramento, quero dizer explicitamente que a aquisição de um carro, para as deslocações do executivo da Junta de Freguesia de Paredes, não se subsume a este conceito de serviço público. Esta aquisição é mesmo contra a causa pública e contra a própria freguesia.

Este valor tinha de ser aplicado a favor da comunidade, a favor da nossa população sénior, dos nossos jovens ou das nossas crianças. Podia também ser usado na limpeza de ruas ou na manutenção de equipamentos públicos da freguesia. Com efeito, comprar um carro para este fim é má despesa pública.

Quero aqui relembrar que em tantas ocasiões, o anterior presidente da Junta foi alvo de chacota política por ter um carro velho e com muitos quilómetros. Foram as páginas e grupos de Facebook, supostos defensores da verdade, que tantas vezes fizeram troça do carro e da pessoa em causa. O Sr. Francisco Ferreira esteve 24 anos ao serviço da comunidade e nunca equacionou sequer a aquisição de um carro para as suas deslocações. Este é o exemplo de uma pessoa para quem a causa pública esteve sempre primeiro.

Passamos da defesa da causa pública para a defesa da causa própria. Fica o registo da verdadeira mudança.

2. Não posso terminar esta minha crónica sem deixar uma pequena, mas sentida homenagem à subida de divisão do nosso União. É com muito orgulho que volto a ver o União de Paredes nos Campeonatos Nacionais. Uma enorme vitória dos jogadores, da equipa técnica, da direção e de uma massa adepta, que mesmo sendo confrontada com tantas adversidades, sempre apoiou o União e nunca deixou de acreditar na possibilidade dos nossos rapazes levarem mais longe o nome do União Sport Clube de Paredes. Parabéns a quem sentiu e viveu esta subida de divisão.

 

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