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A taxa de reciclagem da Ambisousa – Empresa Intermunicipal de Tratamento e Gestão de Resíduos Sólidos do Vale do Sousa em 2017 manteve-se nos 36% e, no global, no ano passado, cada habitante dos concelhos de Castelo de Paiva, Felgueiras, Lousada, Paços de Ferreira, Paredes e Penafiel reciclou apenas 23 quilos de resíduos, estando longe da meta de 32 quilos por habitante/ano imposta pelo PERSU – Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos para o ano de 2020.

Além disso, em 2017, houve um crescimento de quase 1.300 toneladas nos resíduos sólidos urbanos enviados para aterro.

Uma situação que preocupa a Ambisousa. “Vamos fazer um esforço acrescido para diminuir as quantidades de resíduos enviados para aterro e, por outro lado, aumentar substancialmente os resíduos provenientes da recolha selectiva (papel, vidro e plástico). Que estes dados sirvam acima de tudo para alertar e motivar a comunidade para a necessidade de separar mais e baixar a produção de lixo comum indiferenciado”, sustenta Antonino de Sousa, actual presidente do conselho de administração da empresa intermunicipal.

Mais 1.296 toneladas de lixo foram parar a aterro

Foto: Fernanda Pinto/Verdadeiro Olhar

Segundo o relatório anual de reciclagem da Ambisousa, em 2017 foram produzidas 132.817,25 toneladas de resíduos urbanos no Vale do Sousa, dos quais 94% foram enviados para aterro e apenas 6% encaminhados para unidades de triagem e valorização.

Face ao na anterior, houve um aumento de 1,1% dos resíduos sólidos urbanos enviados para aterro, num total de mais 1.296 toneladas. “Este aumento verificou-se em todos os municípios da Ambisousa, com maior expressão nos municípios de Castelo de Paiva (4,7%), de Paredes (1,8%) e de Paços de Ferreira (1,4%)”, define o documento.

“Os mais recentes resultados mostram aos habitantes do Vale do Sousa a necessidade de redobrarem as atenções para as questões ambientais. É uma situação que naturalmente intensifica a sensibilidade e o trabalho da Ambisousa. Segundo vários estudos, quanto maior a melhoria da situação económica, maior é o aumento nos resíduos indiferenciados. A comunidade tem de perceber que é uma parte integrante e, acima de tudo, uma parte extremamente importante para a resolução deste flagelo”, sustenta o presidente do conselho de administração da empresa ao Verdadeiro Olhar.

Já nas estações de triagem de Lustosa e Rio Mau entraram 8.558,26 toneladas de resíduos potencialmente valorizáveis, sendo 7.941,45 toneladas enviadas pelos respectivos municípios.

MunicípiosPopulaçãoPlástico (ton.)Papel/Cartão (ton.)Vidro (ton.)Total recolhido por concelho (ton.)*% de material recolhido
Castelo de Paiva16.73345,6646,54148,74268,843%
Felgueiras58.065237,46414,68615,511 302,5916%
Lousada47.387183,62359,01486,771 063,3013%
Paços de Ferreira56.340268,82394,48646,71 370,8217%
Paredes86.854310,94715,78999,382 115,1627%
Penafiel72.265283,42642,82825,781 820,7423%
Total Ambisousa337.6441.329,912 573,313 722,887 941,45----
* incluindo sucata, REEE, colchões e pilhas

“Ao nível das entradas de material, comparativamente com o ano de 2016, verifica-se uma ligeira redução global de 138 toneladas, obtida essencialmente através da diminuição das entradas de papel/cartão”, refere o relatório. Houve também uma diminuição no vidro encaminhado para reciclagem, enquanto houve um aumento no volume de plásticos.

No ano passado foram entregues à Ambisousa 1.329,91 toneladas de plástico, 2 573,31 toneladas de papel/cartão e 3 722,88 toneladas de vidro.

Paredes mantém-se como o município que mais contribui para a reciclagem na Ambisousa, contribuindo em cerca de 27% do total de resíduos recepcionados, mais de 2.100 toneladas de resíduos. Seguem-se os concelhos de Penafiel e Paços de Ferreira, com 23% e 17%, respectivamente. No total, só estes três municípios encaminharam 67% dos resíduos.

Habitantes reciclam 23 quilos por ano, mas têm que reciclar 32

A taxa de reciclagem na Ambisousa, em 2017, foi de 35,76%, mantendo-se em linha com a taxa obtida em 2016, que foi de 36,10%.

“A redução da taxa de reciclagem deve-se essencialmente ao aumento dos resíduos indiferenciados em aterro. Significa que há um elevado potencial de embalagens desaproveitado nestes resíduos que, ao irem para aterro, não são reciclados”, refere Antonino de Sousa.

Infografia: Ambisousa

Os habitantes do Vale do Sousa continuam também longe de cumprir as metas de recolha selectiva estabelecidas pelo PERSU 2020 que, para a Ambisousa, são de 32 quilos por habitante/ano. “O resultado obtido de 23 quilos/habitante/ano ainda não é o suficiente, pelo que continuará a implicar um esforço acrescido por parte dos municípios (41%), para cumprimento da mesma no ano de 2020. Contudo, face ao ano anterior, verifica-se já uma melhoria desta meta, traduzida numa evolução positiva de 2 quilos/habitante/ano”, sustenta o relatório da Ambisousa.

A meta de 2020 é “algo ambiciosa”, reconhece Antonino de Sousa, referindo que isso “exige um maior empenho por parte de todos”.

“Os habitantes da região do Vale do Sousa têm de estar cientes do desafio que têm em mãos. Se cada cidadão separar anualmente mais nove quilos de resíduos de embalagens do que aquelas que já separa o desafio deverá ser alcançado com sucesso. A concretização dos objectivos para 2020 depende essencialmente do contributo individual de cada um”, afirma o também presidente da Câmara Municipal de Penafiel.

Antonino de Sousa defende criação de instrumentos financeiros que incentivem a reciclagem e anuncia reforço de 461 novos ecopontos

Antonino de Sousa defende que é importante continuar a desenvolver acções de sensibilização mas também criar “mecanismos financeiros que incentivem e motivem uma maior reciclagem por parte dos seus munícipes”.

Nesse sentido, a Ambisousa vai realizar, nos próximos dois anos, “o maior investimento de sempre”, cerca de 120 mil euros, no âmbito de uma candidatura já aprovada pelo Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR), na dinamização de um conjunto de acções de educação e sensibilização para a reciclagem.

“Para além desta iniciativa, encontra-se já em execução, e até final do ano, a densificação da actual rede de ecopontos em 461 unidades. Este incremento de 461 ecopontos, que serão distribuídos pelos seis municípios da Ambisousa, permitirão melhorar a acessibilidade ao serviço de recolha selectiva e subsequentemente o aumento dos quantitativos recolhidos selectivamente”, adianta o autarca.

Ainda segundo Antonino de Sousa, está previsto que a nova estação de triagem de Lustosa fique concluída até ao final de 2018. “Esta unidade será dotada com a mais recente tecnologia de separação multimaterial automatizada, embora estes mecanismos não garantam, por si só, o aumento de reciclados desejado. Uma vez mais apelamos o contributo e o esforço individual de cada cidadão, para a separação de mais papel, mais vidro e mais plástico”, conclui.