O Estádio Capital do Móvel, em Paços de Ferreira, acolhe, este domingo, pelas 11h15, o dérbi regional entre o FC Paços de Ferreira e o FC Penafiel, um encontro de emoções entre duas equipas que se conhecem bem e que em diferentes ocasiões se cruzaram.
Os dois emblemas voltam a defrontar-se num dérbi que promete voltar a empolgar os adeptos e os atletas, mas também antigos jogadores que passaram pelos dois clubes.
Paulo Sousa, Zé Nando e Silva Pereira contam como foi viver estes dérbis no passado.
um dos encontros que mais o marcou foi o que ajudou os castores a subir à divisão maior do futebol nacional
O antigo defesa-esquerdo que brilhou no Penafiel, mas que também ajudou o clube da Capital do Móvel a consolidar-se como equipa de referência na região, assumiu que um dos encontros que mais o marcou foi o que ajudou os castores a subir à divisão maior do futebol nacional.
“Na altura, o Paços de Ferreira, era conhecido por ter uma equipa que praticava um futebol aberto, entrava em todos os jogos para discutir os resultados”, frisou, salientando que mesmo na primeira divisão, os castores continuaram a praticar um excelente futebol, sendo uma equipa de bater mesmo para os designados grandes, sendo elogiada pela forma como encarava os jogos.
Falando do Penafiel, o ex-jogador recordou, também, que foi nos rubro-negros que fez a sua formação, integrou a formação sénior, sendo uma peça fundamental para no onze da formação penafidelense, e terminou a sua carreira. É no Penafiel que desempenha funções directivas.
“Foram muitos os momentos felizes que vivi em Penafiel, fiz um percurso interessante ao serviço da formação rubro-negra. Ajudei o Penafiel, a subir da II Divisão B para a II Liga”, acrescentou, expressando a sua preferência pela Penafiel no jogo deste domingo.
“O FC Penafiel já deu mostras de ter uma equipa competitiva, está a fazer um campeonato conseguido e frente ao Paços de Ferreira vai fazer tudo para obter os três pontos, sabendo que do outro lado vai encontrar uma equipa motivada”, afiançou o actual director desportivo do Penafiel que enquanto jogador era conhecido pelo seu talento nato para os dribles, com forte vocação ofensiva, destacando-se também pela forma como defendia.
Zé Nando representou a selecção nacional, contando com duas internacionalizações na selecção B e tendo sido pré-convocado para a selecção A.
“Joguei no FC Paços de Ferreira e apesar de residir na Capital do Móvel, tenho, também, excelentes recordações do FC Penafiel, onde tenho inúmeros amigos”
Já Paulo Sousa, adjunto de José Mota no Desportivo das Aves, que também alinhou pelos dois emblemas, confirmou que um Paços de Ferreira-Penafiel (ou vice-versa) é sempre um jogo empolgante para qualquer jogador, adepto ou até mesmo para um ex-jogador como foi o seu caso.
“Joguei no FC Paços de Ferreira e apesar de residir na Capital do Móvel, tenho, também, excelentes recordações do FC Penafiel, onde tenho inúmeros amigos, onde joguei e onde vou com regularidade, seja para ver o Penafiel, ao Municipal 25 de Abril, seja para visitar os amigos”, disse, admitindo que um jogo entre os dois clubes é sempre um jogo especial, que motiva paixões.
“Tive a oportunidade de jogar pelos dois clubes e sempre que que havia um Penafiel-Paços ou vice-versa as dificuldades quer de um lado quer do outro eram imensas. Os jogadores conheciam-se, respeitavam-se, mas dentro do campo havia uma entrega total”, constatou, confirmando que muitos jogadores que alinharam pelo Penafiel, foram mais tarde para o Paços de Ferreira.
Dos tempos em que alinhou pelos castores, Paulo Sousa recorda-se da camisola ser respeitada pelos adversários e em especial pelos designados grandes do futebol nacional, Benfica, Porto e Sporting.
“Tive a oportunidade de jogar com o Zé Nando em Paços de Ferreira e recordo-me que éramos uma equipa respeitada, tínhamos um objectivo claro de chegar o mais rapidamente possessível à baliza do adversário, de fazer golo”, sustentou, garantindo que quer fosse em Penafiel quer fosse em Paços, quando as duas equipas se encontravam, os jogos eram intensamente disputados com a incerteza do resultado a manter-se até ao fim.
O ex-futebolista, que se retirou dos relvados em 2010/11 revelou, também, que o jogo de domingo vai ser uma oportunidade para recordar algumas caras, amigos que tem de um lado e do outro.
Quanto ao jogo de domingo, Paulo Sousa reconheceu que apesar do Paços de Ferreira jogar em casa e teoricamente ser favorito, pela frente vai encontrar um Penafiel que tem vindo a crescer e que tem um capital acumulado na II Liga, o que é, também, um facto a ser em conta.
“Estamos a falar de duas cidades próximas uma da outra, o Paços é um clube com todo um historial na I Liga que tem aspirações a subir, o Penafiel tem a seu favor o facto de ser uma equipa consolidada, com experiência e capital acumulado na II Liga o que é um facto, também, a respeitar”, afiançou, acreditando que este dérbi vai ser “um grande espectáculo”, com muito público e com as duas equipas a tentarem dignificar os respectivos emblemas e a história dos dois clubes.
“Os jogos com o Paços de Ferreira eram sempre difíceis de disputar, muitos aguerridos”
Silva Pereira, uma referência no FC Penafiel, cujo nome está indissociavelmente ligado à sua história, reconheceu, igualmente, que já à época, jogar com o Paços de Ferreira era um momento especial que galvanizava adeptos de uma e outra equipa.
Sobre a sua velocidade, Silva Ferreira relatou que o seu nome e a sua forma de jogar era conhecida pelos adversários, sobretudo pelos defesas.
“Quando o Penafiel defrontava o Paços, normalmente quem me marcava era o Pimenta, um jogador possante, uma das maiores referências do FC Paços de Ferreira nas décadas de 60 e 70, quando se sagrou campeão Regional da II Divisão”, afiançou.
Falando das muitas partidas que disputou frente aos castores, o ex-jogador do Penafiel referiu que num desses jogos, em que o Penafiel foi a Paços jogar, lembra-se do presidente do Paços de Ferreira se ter dirigido para o técnico do Penafiel, Mário Morais, que também jogou no clube, e em tom jocoso lhe ter perguntado se me ia colocar a jogar, dado já ter uma idade avançada, cerca de 35 anos.
“Recordo-me de o Mário Morais lhe ter respondido dizendo-lhe que no final falariam e o que é certo é que fiz uma exibição conseguida, era um jogador rápido, que dava sempre muito trabalho aos defesa das equipas contrárias e neste jogo isso voltou a acontecer para grande tristeza do presidente do Paços teve que se calar e ficou sem resposta para dar”, asseverou. “Era rápido na forma de pensar. Quando recebia a bola já sabia por onde ela ia”, defendeu.
“Na altura os transportes públicos eram deficitários ou praticamente não existiam e as pessoas deslocavam-se de bicicleta. Era uma festa. Existia rivalidade, mas era uma rivalidade e um convívio salutar”, concretizou.
Quanto ao jogo de domingo, Silva Pereira garantiu que o Penafiel vai a Paços de Ferreira discutir o resultado. “Estou deverás agradado com o futebol que a formação rubro-negra tem praticado, a equipa tem dados excelentes indicações nos jogos já realizados, tem atletas talentosas e no jogo para a Taça com o Setúbal demonstrou o seu valor, apesar de ter perdido”, concluiu, recordando que já no ano transacto o Penafiel tinha uma equipa equilibrada, sendo um candidato a subir de divisão.
Sobre o Paços, o ex-atleta do Penafiel atalhou que a formação pacense se reforçou, tem um conjunto equilibrado, pelo que perspectiva um jogo equilibrado. “Tem atletas talentosos que podem fazer a diferença”, acrescentou.