Caça aos “polibolotas”

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Não fizemos confusão. Não queríamos dizer poliglotas. Sabemos que os últimos são os que sabem e ou falam várias línguas. Os “polibolotas” são outros.

O neologismo -se o for – tem mais a ver com a esperteza serôdia, mas sempre à mão, dos saloios detentores dos pequenos e grandes poderes que, em altura de eleições recorrem a todos os meios para “comprar” o corpo e a alma dos mais desprotegidos, dos ignorantes ou daqueles que à míngua de não saberem fazer qualquer outra coisa se “vendem” por um prato de lentilhas e, ignorando as suas convicções – quando as têm-, cedem à tentação de fazerem parte desta ou daquela lista autárquica a troco de um emprego prometido para depois das eleições ou já obtido pelos mesmos meios. Emprego, sabemos todos, não significa trabalho.

Vem isto a propósito da reabertura do período pré-eleitoral que é, para quem não sabe, o tempo em que os partidos políticos não questionam os eleitores se são deste ou daquele partido. A coisa funciona melhor quando, em vez disso, perguntam apenas: queres um emprego? Então, “entra” na minha lista!

A coisa é mais ou menos assim em quase todas as autarquias, mas em Paredes assume foros de escândalo.

 Há quatro anos, quando demos conta, a direita que não cabia na direita tomou conta do PS/Paredes. Alguns mesmo terão ainda hoje vergonha de se dizerem socialistas. Outros, à socapa, gabavam-se de resistir à filiação no partido. Isto até ao momento em que deram conta que o seu lugar nas próximas eleições poderia estar em causa. Aí, toca de correr a preencher a ficha de militante, não fosse o diabo tecê-las. Em alguns casos logo se sentiram no direito de exigir a integração nos órgãos locais do partido, que é como quem diz, de pertencer ao grupo dos que escolhem os candidatos. Nem todos irão ter essa recompensa e deles não teremos pena.

À frente que atrás vem gente. Nestes quatro anos de governação de eleitos pelo Partido Socialista em Paredes, é público e notório o assalto dos novos governantes locais da autarquia às instituições locais. Desde as corporações dos bombeiros às instituições de solidariedade social. Desde as associações desportivas às de carater cultural ou recreativo foram poucas as que escaparam à nova ordem dos patrões da autarquia. Estava assim concluída a segunda parte do processo para a reeleição desejada.

Faltava ainda a terceira e última fase. É a que ainda vamos ver, embora não tenhamos grande curiosidade. O processo tem tanto de transparente com opacas eram as estratégias do tempo da outra senhora. É sobre métodos do Estado Novo que falamos.

Já fazemos ideia de quanto estes estratagemas pesam no orçamento municipal. Só nos resta calcular o aumento que estas eleições trarão.

Éramos pequeninos quando aprendemos com um pouco reconhecido, mas sábio democrata, de nome Salvado, pai do ilustre anti-fascista António Grácio, que dizer certas coisas a certas pessoas era o mesmo que dar pérolas a porcos. Se lhas dessemos os porcos pisavam-nas.

A nossa experiência de vida só nos levou a trocar as pérolas por bolotas. E, para nós, não são mais limpos os que dão as bolotas do que os que as comem.  São “polibolotas”, diríamos nós.

Enquanto isto, o concelho foi a vergonha que se viu na gestão da pandemia, nem um metro de saneamento foi construído, nem o preço da água baixou, nem a qualidade de vida dos habitantes do concelho de Paredes melhorou. Nem nada! Agora é que vai ser, dirão eles até ao dia das eleições!

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