O PSD criticou, na última Assembleia Municipal, o modelo de gestão do executivo camarário (PS) e acusou-o de não ter uma estratégia definida e de avançar com investimentos “ao sabor do vento” e com intuitos eleitorais.

“Em 2017 Alexandre Almeida propalava um novo modelo, dizia que todos os investimentos iam ser analisados mediante custo-benefício. Agora faz o oposto, com investimentos ao sabor do vento, sem uma estratégia definida, sem ponderar o custo-benefício. Ao sabor dos interesses eleitorais quer deixar obra feita ainda que tenha de hipotecar o futuro dos paredenses e sobrecarregar o erário público com despesas correntes avultadas”, sustentou Soares Carneiro.

O eleito do PSD começou por dar como exemplo a reconversão do Pavilhão das Laranjeiras em Fórum Cultural, uma obra de 2,81 milhões de euros que, quando a candidatura foi aprovada, em 2020, receberia 1,85 milhões de fundos comunitários, referiu. “Mas estava dependente a esclarecimentos quanto ao uso desportivo”, disse. “A câmara esclareceu, em Março do ano passado, e indicava uma taxa de ocupação de eventos desportivos nesse fórum de 10%, 29 dias no ano, o restante seria com eventos sócio-culturais. E o co-financiamento diminuiu para 1,51 milhões de euros”, acrescentou o social-democrata.

Nessa obra, não foi estudado o custo-benefício, tendo o mesmo acontecido com os investimentos da piscina ao ar livre (1,54 milhões) e do Estádio das Laranjeiras (2,58 milhões), ou o do auditório e centro de congressos a criar no antigo edifício da adega cooperativa expropriado pela câmara, alegou o PSD. “Votamos a favor, mas não deixamos de perguntar a que actividades se destinava e qual a estratégia do equipamento. Se ia competir com espaços como o pavilhão Rosa Mota, a Exponor ou o Multiusos de Gondomar”, entre outros, argumentou Soares Carneiro.

A obra foi candidatada a fundos comunitários por 6,8 milhões, dos quais deve ser comparticipada em 2,9 milhões de euros. “Em Dezembro de 2020, foi adjudicado um estudo de custo-benefício não por vontade do executivo mas porque o código dos contratos públicos obriga. Numa obra tão importante faz-se um estudo depois de tudo estar decidido? Vão gastar-se 6,8 milhões de euros com enormes encargos futuros e sem que sejam evidentes as vantagens competitivas para Paredes?”, questionou o eleito do PSD.

Estudo prevê receitas de 600 mil euros no auditório e centro de congressos de Paredes

Soares Carneiro adiantou que o documento elaborado dá conta que o espaço se destina a congressos, palestras, seminários, conferências, exposições, feiras e concertos, entre outros, e terá de ser contratado pessoal, com um custo a rondar os 100 mil euros anuais, a que acrescem custos de 300 mil euros anuais com fornecimento de serviços externos. A cedência do auditório por um dia custará 736 euros e a do centro de congressos 3000 euros, adiantou ainda. Prevê-se fazer 71 eventos, 22 organizados pela câmara, e 600 mil euros de receita.

Mas o eleito do PSD questionou quantos eventos serão realmente pagos. “A Câmara vai pagar a si própria?”, ironizou, falando em mais “uma ilusão de números” e um investimento que vai sair caro aos paredenses.

“E como se vai compatibilizar o uso deste equipamento com o do Fórum de Paredes. Teremos dois equipamentos para o mesmo fim?”, perguntou a Alexandre Almeida. “Não custa fazer obra, o que custa é ter estratégia de médio e longo prazo”, criticou.

Na resposta, o presidente da Câmara de Paredes começou por garantir que cinco mil euros agora “valem o mesmo” do que valiam quando foi candidato à presidência da autarquia. “Não é por me passarem milhões pelas mãos que deixei de dar o mesmo valor ao dinheiro. Todas as obras são bem escrutinadas e definidas”, garantiu.

Não deixou também de lembrar que, devido à gestão do PSD, quando tomou posse dos destinos do município não conseguia recorrer a fundos comunitários. Resolvida a situação a realidade inverteu-se. “Em apenas dois anos usamos todos os fundos comunitários ao nosso dispor. É por isso que conseguimos fazer obra sem aumentar o endividamento”, esclareceu Alexandre Almeida.

“Achei que não era contra a requalificação do Pavilhão e Estádio das Laranjeiras, da piscina ao ar livre e da construção do auditório municipal, mas já vi que se fosse presidente da câmara não faria estes investimentos. Mas não diz o que faria em vez disto”, realçou o autarca. “Está a enveredar pelo caminho simples da política, o bota-abaixo. Temos feito obras com fundos comunitários e não com os oito milhões que vieram com a venda do Estádio e Pavilhão das Laranjeiras e que ninguém sabe para onde foram”, ironizou também.

Alexandre Almeida salientou que o auditório será usado pelos conservatórios de música e dança existentes no concelho assim como pelas bandas musicais e grupos de teatro do concelho. “Há municípios aqui à volta que vão fazer auditórios com capacidade idêntica porque faz sentido”, defendeu.

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