O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS) é dos que recebe um maior número de casos encaminhados pela Via Verde do AVC no país.

Segundo dados do INEM, até Outubro de 2018 foram 143 os casos recebidos pelo Hospital Padre Américo. As estatísticas deste ano, apontam para 195 casos naquela unidade hospitalar até ao final do mesmo mês.

Os números divulgados colocam o Hospital de Penafiel como o quinto que mais casos recebeu através desta Via Verde, em 2019, abaixo do Hospital de Braga (299), Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte – Hospital de Santa Maria (293), Centro Hospitalar Universitário de São João – Hospital de São João (271) no Porto, e Centro Hospitalar Universitário Lisboa Central – Hospital São José (204) em Lisboa.

Até 27 de Outubro, o INEM registou, 3.456 casos de AVC encaminhados para a Via Verde do AVC, uma média de 11 casos por dia. Os distritos de Porto e Lisboa registaram o maior número destes encaminhamentos, com 819 e 702 casos, respectivamente.

Em Março deste ano, aquando da comemoração dos 10 anos da Unidade de AVC do Serviço de Medicina Interna do Hospital Padre Américo, em Penafiel, o Centro Hospitalar divulgou que recebe cerca de 400 utentes por ano com AVC (nem todos os casos dão entrada pela Via Verde).

De salientar que o AVC continua a ser uma das principais causas de morte em Portugal, sendo também a principal causa de morbilidade e de potenciais anos de vida perdidos no conjunto das doenças cardiovasculares.

Vítor Fagundes, coordenador da Unidade de AVC do CHTS, explica que o AVC atinge pessoas de ambos os sexos, sem predomínio, atingindo, no caso do CHTS, sobretudo população com mais de 60 anos. Embora, sustente, o AVC possa acontecer em idades mais jovens, sendo aí diferentes as causas. “As etiologias/causas é que diferem em função da idade. Por exemplo, na população mais idosa as causas mais comuns são os factores de risco vascular, como a hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia ou tabagismo, enquanto nas idades mais jovens pode ocorrer em contexto de doenças auto-imunes, inflamatórias e até associado a causas traumáticas como as dissecções/traumatismos das artérias”, explica.

O médico acredita que o elevado número de casos recebido está ligado ao elevado número de população abrangida pelo CHTS. No entender do Serviço de Medicina Interna pode “também pode estar ligado ao desconhecimento da população em relação aos factores de risco e à doença”, diz ainda, deixando o alerta: “No AVC, é importante o reconhecimento dos sinais e sintomas e ligar de imediato o 112 para que a emergência médica possa socorrer e fazer o transporte até ao hospital, onde será accionado o tratamento adequado ao doente”. O CHTS acaba de conquistar um prémio de investigação clínica que reconhece as boas práticas no tratamento do AVC.

O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa tem uma equipa multidisciplinar dedicada a esta patologia desde 2009, cujo grande desafio é reduzir a morbilidade e mortalidade associada ao AVC.

Para ajudar a reconhecer os sintomas, o INEM deixa dicas: falta de força num braço, boca ao lado ou dificuldade em falar podem indicar a ocorrência de um AVC. Nestes casos, a rápida intervenção médica especializada – chamar o 112 – é vital para o sucesso do tratamento e posterior recuperação do doente, sustenta a mesma fonte. A meta é “reduzir o número de doentes com esta patologia que recorrem aos hospitais pelos seus próprios meios, situação que, na maior parte dos casos, atrasa o início do tratamento da doença, reduzindo a sua eficácia”.

O AVC é um défice neurológico súbito, motivado por isquemia (deficiência de irrigação sanguínea) ou hemorragia no cérebro. Para prevenir a doença, devem ser adoptados hábitos de vida saudáveis, evitar-se o tabaco e a vida sedentária e ter especial atenção a doenças como a hipertensão, diabetes ou arritmias cardíacas, aconselha ainda o INEM.