Monitorizar as águas junto ao aterro de resíduos não perigosos em Sobrado, Valongo. É esse o próximo passado da Associação Jornada Principal, que foi constituída em Maio para lutar pelo encerramento deste equipamento que a população aponta como responsável por cheiros nauseabundos, pragas de mosquitos e pela possível contaminação dos lençóis de água.

Segundo comunicado, esta associação popular vai usar as receitas angariadas no evento “Sobrado é Festa” para realizar ensaios físico-químicos que monitorizem a áreas adjacentes ao aterro.

“Existindo indícios que os lençóis freáticos, da área envolvente ao aterro, estão a ser contaminados devido a infiltrações de lixiviados, o movimento e os sobradenses estão preocupados com esta situação, pelo que, irá avançar com uma campanha trimestral de recolha e análise das águas provenientes das nascentes do Alto Vilar. Para além desta acção apostaremos, também, na divulgação de alertas, eventos de sensibilização e esclarecimentos à população”, explica a instituição.

Por outro lado, depois da caminhada de protesto realizada em Junho, que juntou cerca de 1200 pessoas, a Associação atesta que o modo de operação da entidade responsável pelo aterro, a ReciValongo, mudou “radicalmente”. “Observa-se agora que estão a cobrir os resíduos com uma camada de terra vegetal, tendo cancelado a operação de recirculação do lixiviado no aterro e ainda instruído um processo de encaminhamento diário do lixiviado através de camiões cisternas para operador licenciado. Obviamente todas estas medidas implicam, por si só, uma diminuição do processo de evaporação do lixiviado, minimizando os odores sentidos na vila de Sobrado”, referem os responsáveis pela Jornada Principal.

A decorrer está ainda a petição que pede o encerramento daquele aterro. Existem já cerca de 4000 assinaturas reunidas.

Recorde-se que, no mês passado, a Câmara Municipal de Valongo e a Jornada Principal avançaram que vão intentar uma acção popular em tribunal para pedir o encerramento do aterro de resíduos não perigosos.

Os responsáveis do aterro e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) já garantiram que tudo é licenciado e fiscalizado, funcionando dentro da legalidade.

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