Entre 2012 e 2017, foram notificados 74 casos de tuberculose no Marco de Canaveses e em Penafiel. Os dois concelhos têm taxas de incidência acima da média do país que é de 17,5 casos por cada cem mil habitantes. “A maior taxa de tuberculose é nos grandes centros urbanos, Porto e Lisboa. No Norte, a maior taxa é no Vale do Sousa Sul e Baixo Tâmega. Em Penafiel é 76 por cem mil habitantes e no Marco de Canaveses é 59, uma taxa bastante superior à nacional,” revelou Carlos Carvalho, médico de Saúde Pública, durante a 4.ª Jornada de Pneumologia do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa.

Os trabalhadores da indústria da pedra apresentam uma taxa de incidência superior à população em geral, acrescentou o epidemiologista.

O encontro abordou ainda a ligação entre a silicose e a tuberculose. “A silicose potencia o aparecimento da tuberculose, são duas patologias que partilham factores de risco explosivos”, explicou o médico, falando da razão do projecto-piloto “Pedreiras com menos Tuberculose”.

“A silicose e a tuberculose são as doenças mais prevalentes nos concelhos de Marco de Canaveses e Penafiel”, referiu Maria do Céu Póvoa, directora do Serviço de Pneumologia do CHTS.

A silicose é uma doença pulmonar que resulta da inalação de pequenas partículas de sílica decorrentes do corte ou perfuração de solo, areia, granito ou outros minerais. Francisco Cadarso, pneumologista do CHTS, revelou que “a silicose é a patologia mais notificada no Norte, corresponde a 85% das notificações de doenças respiratórias profissionais”. “Felgueiras, Marco de Canaveses, Penafiel e Vila Nova de Gaia são os municípios com mais notificações, ou seja, são concelhos mais industriais”, justificou. “A indústria mudou, o futuro vai dando novas tecnologias, maquinaria e protecção que permitem diminuir a exposição à sílica, mas ainda é preciso mudar mentalidades na indústria”, acrescentou o especialista, citado em nota de imprensa.

Já a tuberculose é uma doença infecciosa causada pelo bacilo de Koch. Um doente com silicose tem um maior risco de desenvolver tuberculose.

“A tuberculose é a doença infecciosa que mais mata no mundo. Portugal registou menos casos em 2017, mas ainda está acima da média europeia. A incidência no nosso país é de 17,5 casos por cada cem mil habitantes, enquanto na União Europeia não vai além dos 10,7 por cada cem mil. Os dados constam do mais recente relatório do Centro Europeu para a Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) e da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a Europa, divulgado em Março deste ano”, informa nota de imprensa do CHTS.

Durante as jornadas, o médico Carlos Carvalho explicou que “a tuberculose atinge mais homens, por causa da profissão, entre os 35 e 40 anos de idade” e que “o consumo de álcool tem também grande peso nos casos detectados na região”.

Todas as intervenções apontaram para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Presente na sessão, Susana Oliveira, vice-presidente da Câmara de Penafiel, lembrou que a “a tuberculose é um problema de saúde pública em todo o mundo, Portugal tem a pior taxa da Europa Ocidental e na região Norte, a sub-região do Tâmega e Sousa continua a superior à média nacional”. “Ninguém gosta de fazer parte dos piores, é um combate difícil. Penafiel continua empenhado em trabalhar para fazer face a esta situação, com estratégias que visam a prevenção e o diagnóstico precoce, medidas para a melhoria das condições socio-económicas e de trabalho”, afirmou Susana Oliveira.

De realçar que a tuberculose é tratável, mas o seu tratamento dura seis meses, o que dificulta a adesão à terapêutica e a deslocação diária para fazer a toma observada directa, obrigatória para prevenir a transmissão na comunidade.

O encontro contou com profissionais da especialidade, entre médicos e enfermeiros dos cuidados de saúde primários e área hospitalar, e outros profissionais de saúde.