Em Valongo a oposição acordou aproveitando um ligeiro aumento na fatura da água. Vamos então explicar o que efetivamente se passa para que não se caia na demagogia política de alguns partidos.

Na fatura de outubro de uma família, que se enquadra num padrão médio de consumo de 10m3, que equivalem a 10.000 litros de água por mês, haverá um aumento de aproximadamente 2€, ou seja, quem pagava cerca de 17€ passará a pagar cerca de 19€. Os aumentos acontecem em todos os municípios e por razões diversas mas ainda assim, Valongo, continua a ser o 5º município com a água mais barata dos 17 municípios que compõem a área metropolitana e dos primeiros no que respeita à qualidade da água.

De realçar também que, com este aumento, acaba-se com as taxas de ligações de ramais que atingiam valores absurdos e resolve-se um grave problema de insuficiência nas duas estações de tratamento das águas residuais, as ETAR`s.

De realçar ainda, que este aumento decorre de uma obrigação contratual, senão vejamos: O PSD trouxe esta concessão para Valongo em 2000 e curiosamente 4 anos depois já estava em desequilíbrio mas resolveram-no discretamente abdicando de uma retribuição que a concessionária deveria pagar à Câmara pela exploração da rede, ou seja, abdicaram de receita que serviria para investir no concelho. Outros 4 anos depois, em 2008, a concessão volta a estar em desequilíbrio. Quando o PS entra na câmara em 2013, herda esse problema, aliás foi logo dos primeiros problemas que nos foi reclamado resolver, um problema que se não fosse resolvido levaria a Câmara para tribunal.

Foram quase 5 anos de negociações e logo por aqui se vê que as mesmas não foram fáceis, e para se resolver um problema de um contrato que não assinamos, nem trouxemos para Valongo, mas que herdamos com a vitória nas autárquicas de 2013. Sempre com o objetivo de causar o menor impacto possível na carteira dos valonguenses e resolver problemas, principalmente na rede de saneamento, negociamos, trabalhamos cenários e à 3ª tentativa lá conseguimos, junto da concessionária, negociar o cenário que nos parece mais favorável para o concelho.

Assim, a Câmara PS, como não podia rasgar o contrato, com este aditamento ao contrato de concessão, assinado pela Câmara PSD em 2000, além de afastar o risco de um processo em Tribunal, elimina o custo da ligação dos ramais, assegura que as ETARS vão ser intervencionadas e controla a subida do preço da água, mas para além disso e pela primeira vez cria-se um tarifário social e outro para as famílias numerosas.

As obras que este aditamento prevê para as ETARs de Campo e de Ermesinde são absolutamente urgentes para acabar com os maus cheiros nessa zonas mas também para garantir que as ETARs passem a trabalhar na sua capacidade normal pois atualmente estão a trabalhar em esforço, estão a funcionar acima das suas capacidades. Urge por isso aumentar a capacidade de tratamento, principalmente na ETAR de Campo, que será intervencionada em primeiro lugar, para resolver os problemas que existem na rede de saneamento dessa freguesia. Porque além da carteira dos Valonguenses, também nos preocupa a sua qualidade de vida e a proteção do ambiente.

É também importante frisar que quando digo somos o 5º município com a água mais barata, é porque há outros à nossa frente que não fazem o tratamento de esgotos corretamente e que ainda terão de fazer investimentos para o tratamento correto, e isso afeta o valor da fatura da água, porque se já tivessem feito os investimentos necessários o valor da fatura subia e, se calhar Valongo era o 3º mais barato.

Agora o PSD acusa o PS de aumentar a água, mas se o PS não tivesse ganho a Câmara, seria o mesmo PSD que nos aponta agora o dedo a fazer um aumento, porque o contrato de concessão, assinado pelo PSD, assim o obriga.

Importa também informar que, com este aditamento, a Concessionária passa a pagar a retribuição prevista no contrato que o PSD assinou e que em 2004 abdicou, é uma contrapartida da concessão e que o Tribunal de Contas aconselha à sua reposição. Como disse Florbela Espanca: “Palavras são como as cantigas: leva-as o vento” e o que importa no fim é a obra que deixamos feita porque connosco, garantidamente, o dinheiro que entra na câmara será para a câmara investir no concelho.

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