Os concelhos mais afectados foram Penafiel e Lousada, sendo que, no primeiro, as chamas chegaram a colocar em perigo algumas casas, na zona de Peroselo, onde, esta quinta-feira, foi preciso voltar a intervir. Em Paços de Ferreira e Paredes a situação está mais calma, com os bombeiros a serem chamados, mas tratando-se na sua maioria de pequenos focos de incêndio que rapidamente conseguem controlar.

Quando se trata de identificar as causas para esta vaga de fogos, a maioria dos comandantes não quer pôr o dedo na ferida, apesar de alguns referirem a estranheza de vários focos de incêndio na mesma localidade com pouco tempo de intervalo. No entanto, o comandante dos Bombeiros de Penafiel, António Rodrigues, é claro ao dizer que há falta "grave" de vigilância e que se trata de fogo posto. "O que está a acontecer em Penafiel não são reacendimentos. Isto tem mão criminosa", sustenta.
Chamas com origem criminosa destruíram 300 hectares de mata em Penafiel
Desde a tarde de segunda-feira que as chamas atacam as matas de Penafiel. Ao todo, já arderam mais de 300 hectares de floresta e várias casas só foram salvas devido ao trabalho de 110 bombeiros de várias corporações do distrito do Porto. Para o comandante dos Bombeiros Voluntários de Penafiel, António Rodrigues, não restam dúvidas: os diversos focos de incêndio têm origem criminosa.
As primeiras chamas surgiram por volta das 17h00 de segunda-feira, na encosta de Vila Cova. Mas depressa o fogo alastrou a freguesias como Luzim, Peroselo e Duas Igrejas. "Ardeu todo o monte", referiu o comandante dos Bombeiros de Penafiel.
O incêndio continuou durante a noite e manteve-se forte durante a terça-feira, queimando mais de 300 hectares de mata. "Há muitos incêndios por todo o lado. A situação mais crítica verificou-se quando várias casas que ligam Duas Igrejas a Peroselo estiveram em perigo", destacou António Rodrigues.

O cenário só não foi mais dramático porque a Penafiel chegaram corporações de todo o distrito do Porto, num total de 110 homens apoiados por 42 viaturas. Até o veículo de comando e comunicações da Autoridade Nacional de Protecção Civil veio para o concelho, ficando estacionado na Granitec, uma pedreira de Peroselo.
Foi aí que António Rodrigues lembrou que os fogos dos últimos dias são exactamente iguais aos que se verificaram, no mesmo local, "há cinco anos atrás". "Não tenho dúvidas que tudo isto é fogo posto", sentenciou, revelando ainda que já existem algumas suspeitas dos autores deste crime.
Focos de incêndio por todo o concelho
Com os bombeiros a chegar à exaustão, alerta o comandante penafidelense, a quinta-feira não parecia querer dar descanso. Só no passado dia 29, tiveram início mais três incêndios, em São Martinho de Recezinhos, Peroselo e Alto de Sete Pedras (Oldrões). O primeiro era, esta quinta-feira, combatido por 25 homens apoiado por sete viaturas. Em Peroselo, onde os bombeiros já tinham controlado as chamas, foi necessário voltar a intervir. Até ao fecho da edição combatiam o fogo 12 homens com cinco viaturas.
A parte sul do concelho também não escapou a esta onda de calor. Sebolido, Portela (com duas frentes activas), Rio de Moinhos e Canelas foram algumas das freguesias afectadas pelo fogo. Segundo o comandante de Entre-os-Rios, Luís Neves, a situação estava, esta quinta-feira, controlada. A situação que causou mais preocupação foi em Jugueiros, na Portela, pela proximidade a algumas casas, mas todas foram salvaguardadas, explicou. Na quarta-feira, 27 homens, apoiados por oito viaturas combateram este incêndio. Em Canelas, o fogo estava a lavrar em duas frentes, em zona de mato, e a ser combatido por 10 homens com dois carros. 1,5 hectares foi a área de floresta consumida em Rio de Moinhos, no dia 28.
Em Paço de Sousa, a situação é mais calma. Os soldados da paz estão sobretudo a dar apoio aos Bombeiros de Penafiel e Entre-os-Rios. O único foco significativo ocorreu na terça-feira, com um incêndio a queimar sete mil metros quadrados, no Lugar do Monte, em Galegos. No local estiveram quatro viaturas e 12 homens.
Cerca de 250 hectares terão ardido em Sousela e Bouça Acessos dificultaram combate às chamas em Lousada
Em Lousada a situação também não esteve fácil. Desde as 21h00 de domingo até às 8h00 da passada quarta-feira (quando foi dado como extinto), os bombeiros do concelho, apoiados por várias corporações, combateram um fogo que lavrou na encosta de Sousela, em direcção a Lustosa, e em Bouça.
Ainda sem números exactos, o comandante dos Bombeiros de Lousada calcula que terão ardido 250 hectares de mato e árvores. As principais dificuldades de combate a este fogo, explicou Alberto Barros, prenderam-se com a morfologia do terreno, muito irregular, mas também com a escassez de acessos. "Os acessos chegavam apenas às casas, o que dificultou a tarefa de chegar às frentes activas de incêndio", referiu. As habitações não estiveram em perigo, garantiu também.
Foram 70 os soldados da paz que combateram este incêndio, apoiados por 15 viaturas. No local estiveram várias corporações, entre estas as de Lousada, Paredes, Freamunde, Leça do Balio, Portuenses, Vila do Conde, Póvoa, Leixões, Valongo, Trofa e São Mamede Infesta.
A madrugada desta quinta-feira também não foi fácil para a corporação lousadense. Surgiram vários focos de incêndio (à 1h00, 4h30 e 5h30), em Lustosa, com a equipa de Equipa de Combate a Incêndios (ECIN) a não ter descanso.
Alberto Barros não quis apontar causas para estes fogos. Limitou-se a lembrar: "só três por cento dos incêndios no país é que têm causas naturais".

Maiores fogos registados em Penamaior, Lordelo e Recarei Paços de Ferreira e Paredes menos fustigados pelos incêndios
Paços de Ferreira e Paredes são, para já, os concelhos menos fustigados pelos incêndios que têm posto a região sob uma nuvem de fumo. As maiores intervenções foram registadas em Penamaior, Lordelo e Recarei, mas as corporações não têm mãos a medir já que são constantemente solicitadas para prestar auxilia nos concelhos vizinhos, no distrito do Porto e mesmo fora deste.
Na Capital do Móvel, os bombeiros de Paços de Ferreira foram chamados, na segunda-feira, a intervir no Monte do Pilar, em Penamaior. O fogo acabou mesmo por expandir-se para Santo Tirso e foi apenas dado com finalizado no dia 27 (terça-feira), pelas 13h00. Da corporação pacense estiveram nesta ocorrência sete veículos e 28 bombeiros. A área ardida é grande, afirma o 2.º Comandante dos Bombeiros de Paços de Ferreira, António Barbosa, apesar de ainda não ter números concretos. Até ao próximo dia 1 de Agosto, António Barbosa está de serviço no Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) Porto. Desde o dia 23 está a comandar o Grupo de Reforço de Incêndios Florestais, com nove veículos e 30 elementos, tendo prestado auxílio em Ponte da Barca, Viana do Castelo e Póvoa do Lanhoso.
Segundo Mendonça Pinto, comandante da corporação freamundense, as coisas têm estado calmas na sua área de intervenção. Os bombeiros de Freamunde, explicou, têm tido permanentemente quatro viaturas fora do quartel para dar apoio ao combate a incêndios em Braga, Marco de Canaveses, Lousada e Penafiel.
Corporações têm ido em auxílio dos concelhos vizinhos
Também em Paredes as cinco corporações do concelho não têm tido mãos a medir para dar resposta a pequenos incêndios e para ir em auxílio dos concelhos vizinhos.
Na alçada dos Bombeiros de Paredes, que cobrem as 10 freguesias do norte do concelho, a ocorrência mais significativa foi em São Domingos, Besteiros, no passado dia 27. Arderam 3,5 hectares, contou o comandante José Morais. O incêndio que lavrou em zona de mato e eucaliptos foi extinto por 32 bombeiros, apoiados por oito veículos.
Em Lordelo também não há sossego. Esta semana, a intervenção mais difícil ocorreu no lugar de Outeiro onde arderam 17 hectares de mata. O incêndio ocorreu no domingo e contou com a ajuda de 10 corporações (cerca de 80 homens e 30 carros). A prevenção manteve-se até terça-feira à noite, informou o adjunto de comando, Pedro Alves. Junto ao Rio Ferreira, os bombeiros lordelenses combateram ainda um fogo que a população afirma ter causas criminosas. A área ardida foi apenas de 1,5 hectares, mas foram precisos 35 homens e sete viaturas para evitar que o incêndio tomasse outras proporções.
50 bombeiros, das corporações de Baltar, Cête, Rebordosa, Lordelo e Valongo, combateram, no dia 27, um fogo em Recarei. Arderam cerca de 20 hectares. "As chamas aproximaram-se de algumas casas mas não houve perigo iminente", assegurou o comandante dos Bombeiros de Baltar, Delfim Cruz.
Nos casos das corporações de Rebordosa e Cete, lideradas por Paulo Ferreira e Rui Gomes, respectivamente, têm havido várias ocorrências diárias, mas de pequena dimensão. "Mas a ajuda aos outros bombeiros nunca pára", explicaram. Ambas as corporações têm tido carros fora a apoiar o combate a incêndios noutras localidades.
Maiores incêndios da última semana
Lousada
Localização Sousela | Bouça N.º de hectares ardidos 250 (aprox.) N.º de veículos 15 N.º de bombeiros 70
Corporações envolvidas Lousada Freamunde Paredes Leça do Balio Portuenses Vila do Conde Póvoa Leixões Valongo Trofa São Mamede Infesta
Tipo de incêndio Florestal Casas em perigo Não
Paços de Ferreira
Localização Monte do Pilar, Penamaior N.º de hectares ardidos Não determinado N.º de veículos 7 (dos Bombeiros de Paços de Ferreira) N.º de bombeiros 28 (dos Bombeiros de Paços de Ferreira)
Corporações envolvidas
Paços de Ferreira Santo Tirso
Tipo de incêndio Florestal Casas em perigo Não
Paredes
Baltar
Localização Recarei (entre Outeiro e Bustelo)
N.º de hectares ardidos 20 N.º de veículos 17 N.º de bombeiros 50
Corporações envolvidas
Baltar Cete Rebordosa Lordelo Valongo
Tipo de incêndio Florestal Casas em perigo Não
Lordelo
Localização Lugar do Outeiro N.º de hectares ardidos 17 N.º de veículos 30 N.º de bombeiros 80
Corporações envolvidas Lordelo com a ajuda de nove corporações Tipo de incêndio Florestal Casas em perigo Não
Penafiel
Vila Cova, Luzim, Peroselo e Duas Igrejas
N.º de hectares ardidos Mais de 300 N.º de veículos 42 N.º de bombeiros 110
Corporações envolvidas Várias do distrito do Porto, incluindo um veículo de comando e comunicações da Autoridade Nacional de Protecção Civil Tipo de incêndio Florestal Casas em perigo Sim
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