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Na sociedade da informação e comunicação, saturada de informação (e, às vezes, deformação), paradoxalmente, impera a ignorância sobre determinadas áreas, algumas cruciais para a tomada de posições. Duas décadas de convívio com adolescentes, jovens e adultos, no âmbito da minha profissão, mostraram-me que, em termos políticos, quase todos têm uma opinião. Felizmente, pensarão muitos. O problema é a impressionante unanimidade relativamente ao assunto! “Os políticos são todos iguais! Votar para quê?” Estas são algumas das palavras mais frequentes, que traduzem, mais do que o ressentimento em relação à classe política, a convicção de que a discussão é estéril e, muitas das vezes, a falta de conhecimentos e argumentos para debater os temas neste âmbito.

Apesar de os jovens terem uma maior facilidade no acesso às novas tecnologias de informação, tal não significa mais conhecimento no que à política diz respeito. Vemo-los muitas vezes tropeçarem em conceitos e nomes quando lhes é apresentado um texto (mesmo quando o tema não é a política). Esquerda, direita, socialismo, comunismo, marxismo, capitalismo, Marx, Proudhon… Eis alguns “palavrões” para os quais dificilmente encontramos uma definição clara. A política é, portanto, uma área nebulosa. E o nevoeiro aumenta quando se fala de história política e política internacional. Não vou aqui procurar exaustivamente as causas de tal desconhecimento. Talvez seja a conjugação de vários fatores, entre os quais as opções curriculares, a crença de que as convicções de cada um não fazem a diferença, a concentração na satisfação das necessidades individuais e um certo pragmatismo, o esbater dos grandes ideais…

A necessidade de formação política foi um assunto que abordei já, tendo-me inclusivamente congratulado com a posição do novo líder da JSD, que assumiu a formação política como uma das  bandeiras do seu mandato. Assim, foi com satisfação que vi divulgado o programa de “Formação cívica em ciência política”, uma iniciativa da Luminare Valle e da autarquia lousadense. Serão vários os temas a abordar nas várias sessões, que respondem, no meu ponto de vista, àquelas que são as principais lacunas das pessoas, jovens ou menos jovens. Espero, por isso, que a iniciativa seja amplamente divulgada, que tenha sucesso e que os conhecimentos e assuntos abordados deem azo a profícuas discussões, também nas redes sociais, que hoje têm um papel importante na informação e formação das pessoas.

Penso que é consensual que a formação política amplia a nossa capacidade de atuar de modo consciente.  A reflexão política confere capacidade de leitura da realidade e iniciativa ao cidadão. Permite avaliar, no tabuleiro de xadrez social (e não estritamente político), a validade dos movimentos dos diversos atores, as suas estratégias e objetivos. Porque a política é muito mais do que partidos. É, se quisermos recuar às origens, o envolvimentos na vida da pólis.