Fotografia: Câmara de Lousada
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O político e escritor português, Manuel Alegre, apadrinhou a apresentação da obra “Sombras, Memórias – evocação na primeira pessoa do meu tio”, a fotobiografia do poeta Álvaro Feijó, da autoria de Rui Graça Feijó.

A cerimónia decorreu na Casa de Vilar, coincidindo com a data de nascimento de Álvaro Feijó, em 1916, figura associada ao neorrealismo e à geração do Novo Cancioneiro.

Álvaro Feijó faleceu em 1941 na sua Casa de Vilar, onde Manuel Alegre foi acolhido antes da partida para o exílio. Rui Graça Feijó, professor agregado da Universidade de Coimbra, sobrinho do biografado, nesta obra traça o itinerário pessoal, académico, literário e social de um autor que nasceu menino e haveria de morrer com apenas 24 anos, como pressagiou num dos seus poemas.

Citado em comunicado, o presidente da Câmara Municipal, Pedro Machado, destacou que a apresentação oficial desta obra inseriu-se nas comemorações do centenário do nascimento de Álvaro Feijó a que a autarquia se associou através de diversas iniciativas.

“É um acto de inteira justiça para o autor que desapareceu muito novo, mas, sobretudo, um orgulho para a comunidade e para ao concelho. Rui Feijó, irmão de Álvaro Feijó, foi um homem ímpar da nossa cultura, do nosso concelho e, por isso, este é também um tributo a ele”, disse.

“Cheguei aqui, pela primeira vez, há mais de 50 anos numa situação de extrema dificuldade, pois estava na iminência de ser preso”

Manuel Alegre recordou a sua passagem pela Casa de Vilar, onde teve a oportunidade de escrever alguns poemas.

“Cheguei aqui, pela primeira vez, há mais de 50 anos numa situação de extrema dificuldade, pois estava na iminência de ser preso. Parte de mim ficou nesta casa”, referiu.

Falando do livro “Sombras, Memórias – evocação na primeira pessoa do meu tio”, Manuel Alegre destacou que a sua edição é justo tributo ao Álvaro Feijó e a Rui Feijó.

“Este era um homem muito culto, uma das pessoas com maior sentido crítico que conheci”, adiantou.

Manuel Alegre dedicou algumas palavras à Câmara Municipal de Lousada pelo contributo que tem conferido a esta figura da cultura portuguesa e pelo relançamento da obra do poeta que foi Álvaro Feijó. Defendeu ainda que os poemas de Álvaro Feijó deveriam ser reeditados por uma grande editora portuguesa, comprometendo-se a fazer o que estiver ao seu alcance para que tal seja concretizado.

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Já Rui Graça Feijó, autor da obra, manifestou que o livro por si editado pretendeu transmitir a maneira como compreendeu o seu tio. O autor elogiou a autarquia pelo reconhecimento feito a Rui Feijó (pai), tido como um homem de “causas e de dádivas”.

Referindo-se Manuel Alegre, o autor de “Sombras, Memórias – evocação na primeira pessoa do meu tio”, referiu que o ex-deputado e escritor português vencedor do Prémio Camões em 2017, teve um papel interessante na vida da família. “Sempre associámos Manuel Alegre à esperança”, expressou.

Já sobre o tio, Rui Graça Feijó revelou esteve sempre presente através do seu pai que sempre se mostrou o grande dinamizador da poesia do irmão. “Por isso, este livro é uma evocação da memória de Álvaro Feijó que continua presente nesta casa”, precisou.

O programa comemorativo do centenário do nascimento, iniciado em 2016, integrou conferências, visitas guiadas, sessões de poesia, concursos e exposições.