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A Igreja da Misericórdia de Penafiel, antiga sede do Bispado de Penafiel, reabriu, este sábado, após ter estado encerrada, pouco mais um ano, para obras de restauro e conservação.

Na cerimónia de inauguração da reabilitação, conservação e restauro, o provedor da Santa casa da Misericórdia de Penafiel, Júlio Mesquita, realçou que este foi um dos dias mais emblemáticos enquanto responsável pela instituição.

“Este é, porventura, o dia mais importante do meu mandato enquanto presidente da mesa administrativa da Santa Casa. Estamos perante um edifício que foi sede, ainda que efémera, do Bispado de Penafiel, um templo seiscentista cuja construção marca um ponto importante na história da Santa Casa e de Penafiel. Trata-se de um edifício emblemático, um ícone da cidade de Penafiel e a sua inauguração faz jus à preocupação que esta instituição sempre teve no que toca à valorização do seu património”, disse, salientando que a escolha do dia 12 de Maio não foi um acaso, antes marca o lançamento da primeira pedra da construção da Igreja Misericórdia de Penafiel, precisamente a 12 de Maio de 1622.

Falando das obras, Júlio Mesquita realçou que foram reabilitadas coberturas, resolvidos problemas de infiltrações e as fachadas foram limpas e recuperadas.

O provedor da Misericórdia de Penafiel ressalvou que foram, também, realizadas intervenção nos tectos, rebocos, pinturas e pavimentos, e ainda foi realizada intervenção nas talhas douradas e imagens religiosas e modernizadas as infra-estruturas de electricidade, de som e de segurança.

“Todo o edifício foi de uma maneira geral intervencionado, o exterior, o seu interior e o conteúdo, nomeadamente, o restauro de santos, telhados, etc”, expressou, realçando que a torre ganhou uma nova escadaria e o órgão de tubos que se encontrava há cerca de 70 anos inactivo voltou a funcionar e a ganhar uma nova vitalidade.

A inauguração ficou marcada por um concerto, a cargo do organista Tiago Ferreira, licenciado em Música Sacra pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa.

“Era um desejo e uma vontade imensas dispormos de um instrumento destes que esteve tanto teve inactivo e a Santa Casa tudo fará para que faça a sua função, o que não vai ser fácil porque, como é do conhecimento público, não é qualquer pessoa que toca este tipo de instrumento. Os organistas ficam caros e há poucos”, disse o responsável pela instituição. “Temos consciência que este órgão é uma mais valia para a Igreja da Misericórdia, mas estamos convencidos que de hoje para amanhã seremos confrontados com um outro problema, isto é, vão surgir cerimónias, casamentos e outras, em que o órgão será solicitado, mas não temos organista privativo. Neste momento, não temos possibilidades de ter um organista a tempo inteiro ou mesmo com uma avença”, avançou.

“Estou convencido que os 900 mil não devem chegar”

Falando do montante gasto na intervenção realizada na Igreja, Júlio Mesquita afirmou que o valor não deve andar muito longe do avançado, cerca de um milhão de euros.

“Estou convencido que os 900 mil não devem chegar. Quando se faz um orçamento, faz-se um projecto, mas depois somos confrontados com coisas que começam a surgir e que é necessário intervencionar e tudo isso faz disparar os números inicialmente apresentados. As contas não estão ainda apuradas, há muita coisa ainda por pagar, mas dinheiro pago a expensas da Santa Casa já foram pagos cerca de 120 mil euros. Acho que não vou mentir se disser que 900 mil não devem chegar”, frisou, salientando que a intervenção realizada neste templo seiscentista beneficiou de uma comparticipação de 85% de fundos comunitários, sendo os restantes 15% da responsabilidade da Santa casa da Misericórdia de Penafiel, o que andará perto dos 200 mil.

“A obra foi inaugurada antes do prazo previsto”

Aos jornalistas, o provedor da Santa Casa da Misericórdia reconheceu, ainda, que a intervenção realizada foi feita em tempo recorde, tratando-se de um trabalho minucioso e uma intervenção difícil de realizar.

“Estamos a falar de edifício que tem regras bem definidas. Além do mais, a obra foi acompanhada pela direcção regional de Cultura do Norte, integrou verbas do Portugal 2020, uma obra fiscalizada que seguiu todas as directrizes, todas as normas que obedecem e que são exigidas”, atestou, ressalvando que não existiram derrapagens relativamente à execução da obra.

“Antes pelo contrário. A obra foi inaugurada antes do prazo previsto inicialmente. A previsão inicial contemplava 17 meses e a obra ficou pronta em 13/14 meses. O tempo que se fez sentir, neste período, também ajudou. Por outro lado, a equipa responsável pela intervenção é uma equipa que conhecemos bem, já tinha estado na Igreja de Santo António dos Capuchos e estamos satisfeitos com o resultado final”, avançou, sustentando que a aposta no turismo religioso é um dos desideratos que a Santa Casa pretende prosseguir e que a requalificação deste importante tempo vai ajudar nesse sentido.

“Trata-se de uma Igreja que diz muito aos penafidelenses não só pelo culto religioso, mas também por toda a monumentalidade que encerra”

O vereador da Câmara de Penafiel, Rodrigo Lopes, em representação do presidente da Câmara de Penafiel, esclareceu que a inauguração deste edifício vem enfatizar a aposta que o executivo, em articulação com as demais instituições culturais da cidade, têm feito na valorização do seu património.

“Esta inauguração é um motivo de regozijo não apenas para a Irmandade da Misericórdia, mas para a cidade e o concelho de Penafiel. Trata-se de uma Igreja que diz muito aos penafidelenses não só pelo culto religioso, mas também por toda a monumentalidade que encerra. De facto recebeu obras de grande qualidade não só de recuperação, mas, também, de valorização”, afiançou, sublinhando que o município está ao lado de todos quantos querem investir e melhorar o concelho.

Reportando-se à Misericórdia de Penafiel, Rodrigo  Lopes enalteceu o papel da instituição quer enquanto dinamizador cultural, quer enquanto organização que tem uma missão social relevante.

“A Misericórdia é um parceiro muito amigo e é evidente que o município tem as portas abertas à instituição. A Misericórdia tem uma obra notável que desenvolve no seu dia-a-dia, há muitos séculos, em prol dos mais carenciados, nas valências para os mais idosos, para as crianças e é de facto um eixo fundamental que reconhecemos que exerce uma função na vida dos penafidelenses”, atestou.

O autarca garantiu, também, que o município em articulação com os parceiros  e actores ligados à área da cultura tem como propósito continuar a potenciar o seu património edificado.

“A Misericórdia de Penafiel tem valorizado este eixo de valorização do património, fê-lo na Igreja dos Capuchos, fê-lo, também, nos seus edifícios, no lar de Santo António dos Capuchos e no lar da Misericórdia e deve-se enaltecer este esforço porque quem ganha com isto é Penafiel, é o património de Penafiel. O município tem apostado muito, sobretudo no eixo cultural, no sentido de Penafiel ter cada vez mais centralidade e ser uma cidade que vale a pena visitar e muita gente a tem visitado. Todos os que contribuam com as suas acções para este eixo serão reconhecidos pela autarquia”, assegurou.

O director da Direcção Regional de Cultura do Norte, António Ponte, afirmou que as obras na Igreja da Misericórdia de Penafiel permitiram colmatar um conjunto significativo de problemas físicos e estruturais que tinha.

“Estamos a falar de problemas que foram devidamente inventariados e acautelados e obedeceram a um processo rigoroso acompanhado pelos técnicos da Direcção Regional de Cultura que validaram todas as técnicas de intervenção e foram aconselhando a tomada de opções sempre surgiam algumas dúvidas porque este tipo de intervenções não é aquilo que se prevê ao início é o que vai decorrendo ao longo do processo de intervenção”, asseverou.

António Ponte garantiu, também, que o Governo está apostado em valorizar uma rede de edifícios em articulação com a Rota do Românico em conjunto com outros mosteiros, como o do Pombeiro.

“É nosso objectivo que essa rede contribua para o alinhamento de uma rota patrimonial que favoreça a construção de uma identidade e de uma autenticidade muito própria dos territórios e robusteça a oferta cultural, a dinamização turística baseada em produtos de cultura qualificados”, anuiu.

“Penafiel é um excelente exemplo de mobilização e de sensibilidade para a preservação do património”

Também presente na cerimónia, o responsável do gabinete do património cultural da União das Misericórdias Portuguesas, Mariano Cabaço, enalteceu esta intervenção num ano em que se assinala o Ano Europeu do Património Cultural.

“Esta iniciativa é reveladora do empenho que as Misericórdias têm tido, neste caso Penafiel é um excelente exemplo de mobilização e de sensibilidade para a preservação do património. Nas 400 misericórdias portuguesas activas temos consciências que somos proprietários muito transitórios deste património secular e temos a obrigação de o ceder às gerações futuras mais cuidado, mais preservado e mais estudado”, constatou, garantindo que a preservação do património é a grande âncora destas instituições.