Foto: Fernanda Pinto/Verdadeiro Olhar
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Primeiro na teoria, depois na prática, cerca de 70 crianças do Jardim Escola João de Deus, em Penafiel, aprenderam como agir em situação de emergência, desde o chamar o 112 aos passos para fazer suporte básico de vida em pessoas inanimadas.

Os conselhos foram deixados pela equipa de enfermagem da Urgência Pediátrica do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, no âmbito das comemorações do Dia Internacional do Enfermeiro, que prevêem ainda a realização de várias actividades durante esta semana.

A mensagem parece ter passado. No final, as crianças entre os cinco e os sete anos de idade tinham absorvido as principais ideias que foram traduzidas em música e que puderam treinar com os seus bonecos. O pequeno Martim, de sete anos, não tinha dúvidas: “Aprendi que podemos salvar uma pessoa com as nossas mãos”.

Tiveram lições e treinaram com os bonecos

A lição com alguns princípios de como agir em caso de emergência e como fazer reanimação começou na sala de aula. Muito atentos, os mais pequenos ouviam as explicações dos enfermeiros e repetiam os passos necessários. Depois de “ver, ouvir e sentir” a pessoa que possa precisar de ajuda os alunos aprenderam como coloca-la em posição lateral de segurança e como entrelaçar os dedos para a massagem de reanimação até chegar ajuda. E, claro, passaram a saber com quem falam quando ligam o 112.

O treino foi feito com os bonecos lá de casa, sobretudo ursos de peluche de todas as cores e feitios. No final, os 68 meninos e meninas cantaram uma canção e repetiram os gestos que podem salvar uma vida.

“Quando encontramos uma pessoa que precisa de ajuda temos que ligar para o 112. Isso já sabia”, afirma o Martim Moreira. Mas aprendeu que, caso a pessoa não responda nem se mexa deve levantar-lhe o queixo e perceber se está a respirar ou não. Caso não respire deve ser feita a massagem de reanimação. Já a Leonor Ribeiro, de seis anos, aprendeu que deve chamar uma ambulância quando alguém não se sente bem e que caso a pessoa esteja a respirar a deve virar de lado. “Alguns conselhos já conhecia. Mas aprendi como mover uma pessoa inconsciente e a fazer a massagem”, conta Pedro Barros, de seis anos, que executou os passos diante dos colegas.

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“Para comemorar o Dia Internacional do Enfermeiro no Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, a equipa de enfermagem da Urgência Pediátrica entendeu trazer aos mais pequenos alguns princípios de reanimação. A evidência científica diz-nos que as crianças vão apreendendo as metodologias da reanimação e que, quando são maiores, conseguem desenvolver com mais destreza essas competências”, explicou ao Verdadeiro Olhar o enfermeiro Renato Barros.

“Este programa pretende precisamente capacitar as crianças com alguns instrumentos, despertá-las para o assunto e que sejam veículos de transmissão destes princípios para as famílias”

“As crianças, mesmo sendo pequenas, podem desenvolver alguns passos de ajuda em situações de emergência, nomeadamente o contacto com os serviços de emergência, ligando para o 112, colocar as pessoas em posição lateral de segurança e pedir ajudar. Isso é fundamental e pode fazer a diferença entre salvar uma vida ou não”, acredita o profissional do CHTS. “Este programa pretende precisamente capacitar as crianças com alguns instrumentos, despertá-las para o assunto e que sejam veículos de transmissão destes princípios para as famílias. Seguramente vão falar em casa sobre isso e transmitir o que aprenderam, o que é importante. Queremos aproveitar essa capacidade que eles têm para influenciar os mais velhos”, acrescentou.

Foto: Fernanda Pinto/Verdadeiro Olhar

Renato Barros salienta que há relatos de crianças que salvaram vidas com estes simples gestos. Aliás, recorda, este programa começou com uma situação em que uma criança de oito anos ligou para uma central de orientação de doentes urgentes em Espanha por ter a avó em paragem cardio-respiratória. “O técnico que atendeu essa chamada percebeu que era importante que as crianças dominassem esses mecanismos que podem ajudar a salvar vidas”, disse.

E esse foi precisamente o tema da sessão promovida pelos enfermeiros do CHTS: “As tuas mãos salvam vidas”.

Para a coordenadora e educadora do Jardim Escola João de Deus é uma mais-valia começar a transmitir estes conhecimentos desde cedo. “É importante sensibilizá-los e fomentar os valores de ajuda aos outros. Alguns já sabiam como chamar o 112. Realizamos uma preparação para esta actividade e puderam consolidar e alargar esses conhecimentos”, explicou Lurdes Barros. “Acho que um destes meninos pode vir a salvar uma vida”, concluiu a educadora.

Foto: Fernanda Pinto/Verdadeiro Olhar