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A empregabilidade é um conceito que está na ordem do dia e são cada vez mais os desafios que se colocam às pessoas que se preparam para (re)integrar o mercado de trabalho.

Efetivamente, se esta é uma preocupação constante para muitos adultos, não deixa de o ser para os jovens do 9.º ano que terão, no final deste ano letivo, de optar por um curso científico-humanístico ou profissional, de acordo com os seus objetivos face ao futuro. Assim, o projeto “Aprendiz por um dia” permite “experimentar” diversas áreas através do contacto direto com profissionais, para que possam aferir acerca das suas preferências. E muitas são as áreas, desde ciências exatas e sociais, arquitetura, construção civil, hotelaria e restauração, comércio, comunicação, proteção civil, moda e vestuário, entre muitas outras… Este projeto faz parte do programa DICAS, que visa a orientação vocacional e, cumulativamente, o incentivo à progressão escolar. Esta é uma iniciativa que merece destaque não só para quem a promove, mas também para as entidades que recebem estes jovens, que dispensam um dos bens mais preciosos de que hoje dispomos – o tempo! A todos, bem-haja!!!

Se este é um projeto importante para os jovens em idade escolar, também se assume como relevante para adultos que pretendem uma reconversão profissional pelos mais diversos motivos: estão desempregados e exerciam uma profissão que atualmente não é procurada, não se sentem realizados com o que fazem ou porque simplesmente têm uma opinião acerca do exercício de determinadas profissões que em nada corresponde à realidade…

De facto, vão surgindo ofertas de formação que integram a formação em contexto de trabalho, que permite, para além da aquisição de novas competências, avaliar se o exercício da profissão corresponde às suas expectativas, mas neste caso o processo formativo já foi realizado e o investimento de recursos também. Neste sentido, para estas pessoas, para além de um processo de orientação, seria também importante proporcionar essas experiências, podendo ser alargado às pessoas que pretendessem mudar de profissão por se sentirem insatisfeitas.

No entanto, os que mais me preocupam são aqueles que opinam sobre determinadas profissões, mas pouco conhecem sobre elas e nada fazem para as conhecer melhor… Apercebemo-nos deste tipo de situações nas redes sociais, nomeadamente acerca da atuação de agentes da autoridade, proteção civil, área social, finanças, justiça, saúde, ensino, desporto, entre outros. Muitos manifestam a sua opinião sobre o trabalho destes profissionais e acreditam que o fariam muito melhor… Ora, este é um julgamento precipitado, sobretudo porque desconhecem as razões que estão na base de determinadas tomadas de decisão, correspondendo, muitas vezes, a constrangimentos legais ou ao cumprimento dos códigos deontológicos das respetivas profissões.

Para ser mais precisa, dou um exemplo a que assisti nas redes sociais na passada semana: a polémica sobre a utilização de lápis na realização dos testes psicotécnicos no âmbito do procedimento concursal para assistentes operacionais para o Município de Lousada. Tanto se escreveu sobre este assunto… A minha questão é: quantos dos que opinaram são psicólogos e aplicam estes instrumentos de avaliação psicológica? Eu respondo: provavelmente ninguém!

É claro que para as pessoas que não trabalham nesta área isto poderá não ser tão óbvio… Aliás, eu tive de fazer as minhas pesquisas sobre o assunto e, facilmente, na internet, encontrei as razões para que isto aconteça. As formas de resposta aos testes psicotécnicos devem ser: verbal ou escrita (papel e lápis ou via computador).

Realço o facto de serem os testes psicotécnicos preenchidos a lápis (preenchimento de escolha múltipla) e não a prova escrita que foi feita a caneta!!!

Estas são as diretrizes que se encontram nos manuais técnicos de utilização deste tipo de testes e em artigos sobre a sua realização. A informação é clara quanto a esse aspeto: “a utilização do lápis permite apagar facilmente uma resposta que se queira alterar”, não sendo necessário rasurar a folha de respostas ou mesmo inutilizá-la, dado que também esta tem custos, pois a correção é feita por leitura ótica, e todas as respostas têm de estar corretamente preenchidas, sem rasuras ou outras marcas para não inviabilizar a cotação. Basta consultarem esses mesmos testes e as normas da sua aplicação. Basta até comparar com outros testes psicotécnicos para concursos realizados em inúmeros órgãos públicos, inclusivamente judiciais ou militares!

Difícil perceber?! Não! Será que as pessoas que gritaram aos quatro ventos que era um procedimento não transparente fizeram o trabalho de casa?! Também não!!! Até porque até as empresas de recrutamento o fazem… Mas fica sempre bem lançar lama e suspeições.

É isto que acontece quando certos políticos querem intrometer-se num trabalho que é técnico!!! Esquecem-se que estes técnicos não são políticos e põem em causa a sua atuação, que apenas vai ao encontro do Código Deontológico da Ordem dos Psicólogos Portugueses, não se coadunando com outros interesses.

Não é isto que se espera de quem tem responsabilidades políticas, que é fazer uma oposição construtiva!  Não se usa um procedimento concursal a que concorreram centenas de pessoas para fazer política! Isto é pura demagogia e irresponsabilidade!

Deixo a sugestão: que tal ser “aprendiz por um dia” na área da Psicologia?!