Publicidade

O Centro de Formação Profissional das Indústrias da Madeira e Mobiliário, sediado em Lordelo, Paredes, encerrou, esta quarta-feira, as comemorações do 50.º aniversário. A cerimónia incluiu a inauguração de um museu que retracta a história do CFPIMM, desde a sua génese até à actualidade, perspectivando alguns caminhos de futuro.

Durante a cerimónia, o director do CFPIMM defendeu a necessidade de criação de um polo na zona centro do país, para dar resposta às necessidades de formação da fileira nessa região.

“Entre 20 a 30% da fileira está na região centro do país e a nossa resposta na região centro está muito abaixo disso”

O Centro de Formação Profissional das Indústrias da Madeira e Mobiliário teve a sua origem na Escola de Limagem e Afinação de Máquinas, que iniciou actividade em 1964, e no Centro de Formação para as Indústrias da Madeira, criado em 1966.

O CFPIMM é um organismo de direito público, sem fins lucrativos, criado por protocolo celebrado entre o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e a Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal (AIMMP). É o único centro de formação profissional em Portugal que tem como objectivo a valorização dos recursos humanos no sector da madeira e do mobiliário.

Nos últimos 20 anos, mostram os dados do CFPIMM, foram ministrados pelo centro mais de dois mil cursos de aprendizagem, qualificação e formação contínua para jovens e adultos, e passaram pela instituição 30.550 formandos.

“Somos herdeiros de uma organização que sempre soube responder às necessidades da indústria e dos seus trabalhadores”, salientou Fernando Canário, vogal do conselho de administração do CFPIMM em representação do IEFP, durante a sessão de abertura. “O futuro é um desafio para todos já que temos empresas diferentes das do passado, mais modernas”, acrescentou Pedro Ferreira de Sousa, também vogal do conselho de administração do CFPIMM em representação da AIMMP.

Seguiu-se a intervenção do director do CFPIMM, com Albano Rodrigues a referir que a instituição tem como objectivos estratégicos a melhoria na inovação pedagógica e tecnológica e a construção da cidadania. E há um objectivo que tem ficado para trás, revelou. “Enquanto centro nacional devemos ter uma representação ao nível das exigências que a fileira nos coloca. Entre 20 a 30% da fileira está na região centro do país e a nossa resposta na região centro está muito abaixo disso”, lamentou. “Essa região é importante e não temos lá nenhuma delegação ou polo embora há cerca de uma década exista um projecto que vai sendo adiado e deve ser retomado”, defendeu Albano Rodrigues.

“Devemos estar onde está a fileira. Este é um objectivo que deve ser trabalhado a curto e médio prazo”, acrescentou o director.

“Há mais de três milhões de trabalhadores no activo que não têm o 12.º ano”

Mais tarde, na sessão de encerramento, Vítor Poças, presidente da AIMMP, instituição que se assumiu como “pai” desta criança que é o CFPIMM, havia de adiantar que o projecto não está esquecido. “Desde há dois anos a esta parte que há mais 250 mil euros no orçamento desta instituição para esse projecto na zona centro que pode começar mais cedo do que se pode pensar”, afirmou.

O dirigente realçou ainda a importância do sector das madeiras e mobiliário na economia nacional. “É um dos sectores mais exportadores da economia que cresceu cerca de 100 milhões ao ano nos últimos nove anos”, frisou.

Já António de Oliveira Leite, delegado regional do Norte do IEFP, considerou os centros de formação protocolares como “excelentes exemplos de organização de interface entre a experiência e o conhecimento, a vontade de ensinar e aprender e os mais velhos e os mais jovens”.

O responsável pelo IEFP Norte sustentou ainda que a marca distintiva do país deve ser a aposta nos recursos humanos. “Há mais de três milhões de trabalhadores no activo que não têm o 12.º ano. Não há nenhum país na Europa que tenha tão fraca qualificação escolar”, referiu. “E não podemos ser um país que considera homens e mulheres acima dos 40 anos como demasiado velhos para trabalhar”, acrescentou, dirigindo-se aos empresários.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Paredes, Francisco Leal, considerou o CFPIMM uma “casa de excelência” e relevou o seu papel de dotar as empresas de funcionários com qualidade e competência. “Tenho sentido que o Centro tem mantido a vitalidade ao longo de todos estes anos e tem sido um forte apoio para os nossos empresários”, afirmou.

Na sessão estiveram ainda Alberto Mesquita, que presidiu à ANIM/AIMMP entre 1988 e 1996, que considerou o CFPIMM um “instituto politécnico da madeira”, e António Moutinho, ex-formador da instituição, que lembrou que teve formandos com vários graus académicos, desde a antiga quarta classe a cursos superiores.

Museu mistura tradição com design e inovação tecnológica

Distribuído por duas salas, o espólio do Museu do CFPIMM pretende mostrar o trabalho que foi feito na área da formação ao longo dos 50 anos da instituição. Além de peças de mobiliário há maquetas, documentos escritos, fotografias e vídeos que ilustram este percurso histórico.

Segundo o Centro de Formação, o objectivo é “evidenciar uma instituição dinâmica, cuja missão é a valorização dos recursos humanos da indústria da madeira e mobiliário, através da implementação de uma actividade formativa de qualidade, onde passado, presente e futuro se conjugam para contribuir para o progresso desta fileira”.

Para visitar o museu é preciso marcação prévia.

No final da visita ao museu foi ainda realizada uma visita às instalações do CFPIMM e às cinco oficinas de talha e restauro, marcenaria e carpintaria, mecatrónica, CNC e de acabamentos.

Formandos interpretaram drama dos refugiados

Um grupo de formandos jovens e adultos da instituição protagonizou um momento artístico e cultural que retractou o drama dos refugiados que fogem à guerra.

Na interpretação um grupo de pessoas foge de barco enquanto se ouve um poema que diz “ninguém escolhe deixar a casa a não ser que a casa a persiga” ou “ninguém coloca os seus filhos num barco a não ser que a água seja mais segura que a terra”. O grupo forma um barco que se afunda e todos morrem. Ao fundo vê-se uma foto de Alan Kurdi, o menino sírio de três anos que morreu afogado e consternou o mundo. “Somos apenas humanos… mas devemos fazer alguma coisa”, fica como mensagem.