Fernando Marques e Assunção Alves, um casal de idosos residente no Lar de Canelas, celebraram 60 anos de casamento, este fim-de-semana, numa cerimónia presidida pelo pároco Eugénio Marílio e organizada pela Associação para o Desenvolvimento de S. Mamede de Canelas, que contou com a presença dos familiares mais próximos e dos utentes do lar.

Fernando Marques e Assunção Alves tiveram quatro filhos, tendo, hoje, vários netos e bisnetos.

Ao Verdadeiro Olhar, Fernando Marques, de 84 anos, mostrou-se radiante com a recriação do seu casamento. “Não estava à espera. Não é todos os dias que se faz 60 anos de casados. Casei em 1957, tive muitos momentos bons ao lado da minha esposa, tivemos quatro filhos e hoje já tenho netos e bisnetos”, disse, salientando que em 1957 a vida era mais dura e as pessoas tinham de trabalhar arduamente para manter a sua prole.

“Recordo-me que logo após o casamento, fui trabalhar para as minas do Pejão, em Castelo de Paiva. Era um trabalho árduo, penoso e fisicamente desgastante”, salientou, recordando que, à data, as minas do Pejão eram o ganha-pão para muitos homens que como ele percorriam quilómetros a pé ou iam de bicicleta para o local do trabalho.

“Trabalhei lá durante 30 anos. Estava a mil metros de profundidade. Trabalhava por turnos e em condições severas. Tínhamos apenas uns balneários para tomar banho”, assegurou, recordando que muitos dos seus colegas tiveram problemas de saúde devido ao pó e ao facto desta ser considerada uma profissão de desgaste rápido.

Fernando Marques recordou, ainda, que apesar das agruras e da dureza do seu trabalho, ele a e esposa conseguiram criar os quatros filhos. “Foi difícil criar os quatro filhos, antes de ir para as minas, fiz terras. Era uma vida dura”, avançou.

Sobre o lar de Canelas, Fernando Marques admitiu que o equipamento dispõe de todas as condições, tem uma equipa de profissionais que olha pelos idosos e se preocupa com os seus utentes. “Sinto-me bem aqui. A ter de estar num lar prefiro estar aqui. Tenho todo o conforto. Somos todos uma família. Há muito carinho”, retorquiu.

Assunção Alves, 84 anos, natural de Canelas, mostrou-se, igualmente, radiante com a celebração das bodas de diamante e pela oportunidade que teve de rever a família e algumas pessoas amigas.

“Vivi estes anos todos com muita alegria. Tive quatro filhos e hoje já tenho bisnetos”, afiançou, admitindo sentir-se bem no lar. “Aqui não me falta nada. Tenho o conforto da família e dos amigos”, acrescentou, recordando que quando chegou ao lar de Canelas vinha acamada.

“Tinha vários problemas de saúde, mas graças ao trabalho das técnicas e ao apoio que tive recuperei e hoje sinto-me muito melhor”, asseverou.

 “Potenciar o envelhecimento activo”

Laurinda Coelho, presidente Associação de Desenvolvimento S. Mamede de Canelas, realçou que a celebração das “bodas de diamante” do casal esteve integrada no projecto realização de sonhos.

“Tivemos conhecimento que este casal fez 60 anos de casados em Maio e optamos por fazer-lhes esta festa e recriar este momento”, adiantou, relevando que a associação é uma instituição aberta à comunidade, que zela pelo bem-estar dos seus utentes e que promove o envelhecimento activo e a qualidade de vida das pessoas idosas.

“Quisermos, desta forma, envolver a própria comunidade de forma a promover também, uma maior interacção com os utentes do lar,  proporcionando momentos de convívio”, avançou, relembrando que a associação dispõe, igualmente, de um plano de actividades, ao longo do ano, de carácter lúdico e cultural que tem como propósito último promover o envelhecimento activo e o bem-estar dos seniores.

A associação tem 73 utentes, 43 idosos no lar e presta apoio domiciliário a 30 pessoas, de vários pontos do concelho, mas, também, utentes de outros municípios como Aveiro e Santo Tirso.

Ao nosso jornal, Laurinda Coelho realçou, ainda, que o trabalho realizado pela associação é bem acolhido pela comunidade local.

“As pessoas colaboram connosco e mostram-se participantes. O nosso objectivo é o bem-estar do utente, incrementar serviços adequados das pessoas idosas, estimular a relação entre os utentes e a família e a comunidade e promover o processo de envelhecimento activo”, confessou.

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