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Nelson OliveiraO caso BANIF veio-nos demonstrar o último ato de uma saída limpa, repleta de “esqueletos no armário” e de lixo varrido para “debaixo do tapete”. Só desta forma, Passos e Portas, conseguiriam uma campanha eleitoral com uma bandeira de alegada credibilidade financeira, escondendo a postura negligente de empurrar os problemas para a próxima legislatura.

Enquanto o povo esgrimia argumentos, durante os últimos anos, sobre os reais culpados da crise económica e financeira que assolou Portugal e o mundo, a banca continuava a desenvolver comportamentos criminosos, imputando depois os custos das suas aventuras aos contribuintes Portugueses.

Num país onde grande parte das pessoas atribui responsabilidades aos beneficiários de prestações sociais, aqueles cidadãos no limiar da pobreza que ganham uma “fortuna” mensal (cerca de 180€/mês – RSI), ninguém acha estranho que continuemos a alimentar um setor capitalista e elitista, impulsionador de grandes desigualdades, onde os lucros são divididos por “meia dúzia de pessoas” e os prejuízos são imputados ao erário público.

Contudo, a grande questão levanta-se quando nos questionamos sobre a solução para estes casos. Neste momento, não “salvar” um banco, mesmo com o menor impacto possível para os cidadãos, implicaria o caos. Milhares de pessoas despedidas, depositantes que ganharam o seu dinheiro de forma séria e à custa do seu trabalho seriam privados de grande parte do seu “pé-de-meia”, o efeito de contágio propagar-se-ia a outros bancos e o desespero das pessoas teria consequências trágicas. Como é percetível, a máquina financeira está de tal forma bem montada que não salvar um banco, poderia ser pior para a economia de um país.

Daí que as regras da União Europeia a partir de 1 de Janeiro possam servir de alguma coisa no sentido de responsabilizar os gestores da alta finança e estabilizar, segundo a lei, os procedimentos a serem tomados em casos extremos como BPN, BES e BANIF.

Um país pobre como o nosso, não pode continuar a discutir aumentos de pensões e salários mínimos como se de um ultraje se tratasse, enquanto alegremente injetamos milhares de milhões num sistema financeiro que apenas castiga os contribuintes e ninguém é responsabilizado.

Entre o deve e o haver neste tipo de situações, é importante que um Governo de Esquerda diga: Basta! Mas também é importante que os defensores do liberalismo financeiro sejam responsabilizados pelas contínuas tropelias, saindo de cena como nada se tivesse passado.

Não é possível nem sadio para a nossa sociedade, continuarmos a debater-nos com enormíssimas resistências quando um governo tenta dar aumentos de pouquíssimos euros a um pensionista ou reformado, mas ao mesmo tempo, esses mesmos críticos, são os primeiros a solicitar uma rápida intervenção estatal num buraco financeiro de milhões de euros.

Infelizmente, mais surpresas negativas surgirão!

E no meio de tudo isto, ainda há quem continue a defender a velha máxima que os privados são melhores gestores… por acaso tem-se notado!